O bege está entre os
tons mais usados na decoração e, muitas vezes, é visto como “monótono”.
Mas, a partir da neutralidade é possível trabalhar com cores e texturas,
transformando os ambientes de forma simples e elegante
Está nos manuais e nas dicas mais comuns do mundo da decoração:
invista em cores neutras na base e ouse nos tons de objetos e detalhes.
Fácil na teoria, mas como escolher as cores e a melhor composição?
Diante do dilema, muitos recorrem ao básico que, invariavelmente, é
representado pelas nuances de bege e suas variações, como o marrom.
“O bege ganhou essa ‘má fama’ de ser uma cor ‘sem graça’, mas ele é,
na verdade, o mais democrático na decoração. Posso compor qualquer cor
sobre uma base bege. Sem contar que ele ganha do branco no quesito
aconchego”, defende a arquiteta Samara Barbosa.
Para a profissional, que trabalha em parceria com a arquiteta Michele
Krauspenhar, as cores neutras podem ser utilizadas em quase todos os
ambientes, dependendo do desejo dos moradores. “Em geral as construtoras
baseiam o detalhamento de banheiros, cozinha e demais revestimentos da
casa em tons claros e neutros por serem mais fáceis de agradar, sendo
mais impessoais e podendo receber qualquer projeto de decoração”,
lembra.
Muitas são as cores neutras e é preciso partir de uma delas para
fazer a composição. Em geral começa-se pelos ítens maiores da decoração,
como armários, sofás e mesas. É importante que o tom dessas peças
fundamentais conversem entre si. Não precisam ser iguais, mas devem
seguir a mesma linguagem.
“Mesmo em uma decoração neutra, não se pode trabalhar com todos os
tons do bege, off-white, cinza, amadeirado, entre outros. É preciso
seguir uma gama, para evitar que se perca a harmonia”, afirma a
arquiteta Patrícia Vertuan.
Os materiais naturais, como madeira, cortiça e tecidos como, linho e
algodão, são de tons neutros e trazem calor para o ambiente. Por vezes,
trabalhar apenas com a textura dos materiais, sem necessariamente usar
uma cor vibrante, traz um resultado harmônico para a composição.
“Texturas naturais despertam sensações e emoções como acolhimento,
aconchego e uma conexão com nossa história. Não chamam a atenção só pra
si, como as cores fortes, mas são percebidas durante a experiência do
usuário, de forma mais sutil, mas rica”, aponta o arquiteto Leandro
Garcia.
Cores na medida
Harmonia também é a palavra chave para quem quer investir em móveis
ou objetos coloridos sobre uma base neutra de ambientação. A escolha
dos tons mais fortes que farão parte da composição parte do gosto
pessoal aliado ao exercício de visualização para sentir se a cor caberá
no espaço. O contraste muito forte pode aumentar as chances de o local
ficar cansativo. “Não é o caso de usar apenas uma cor vibrante, mas é
necessário analisar o equilíbrio e fazer com que elas dividam o mesmo
patamar de atenção”, completa Michele.
É subjetiva a forma de compor as cores, mas algumas dicas podem
ajudar, como o uso de pares do mesmo objeto (vasos, por exemplo) ou o
cuidado com a altura e distribuição das peças. “Se tenho uma prateleira e
uma mesa de centro, por exemplo, é interessante ter itens da mesma gama
de cor nos dois lugares e não trabalhar apenas com os tons abertos. Se
eleger o amarelo como cor mais vibrante, vale ter objetos com o tom em
versões envelhecidas”, completa.
As arquitetas Mariana Stockler e Carolina Posanske enfrentaram um
desafio e tanto. Entre os pedidos dos moradores estava a vontade de ter
amarelo e roxo no living e cozinha conjugada. “A solução foi escolher
tons de madeira, cinza claro e bege na base para investir no roxo e
amarelo nos tecidos e pendentes”, explica Carolina, apontando a relativa
facilidade de se mudar as cores mais fortes, para o caso de os
moradores enjoarem da composição.
As possibilidades de composições são infinitas e, para mostrar
algumas opções, convidamos profissionais para assinar as duas primeiras
ambientações desta matéria que partiram de projetos totalmente limpos e
neutros para opções com alguns toques de cor. Leandro Garcia, preferiu
investir nas texturas, enquanto a dupla Samara Barbosa e Michele
Krauspenhar usou um mix de objetos nas cores berinjela e amarelo.
Cores inusitadas
Unir o amarelo com o tom de berinjela talvez não seja uma combinação
óbvia na hora de compor um ambiente, mas o resultado pode surpreender
até os mais conservadores, como mostra a proposta de ambientação feita
pelas arquitetas Michele Krauspenhar e Samara Barbosa a pedido da Viver
Bem Casa & Decoração. “Testar cores aparentemente opostas é uma boa
forma de deixar o espaço mais alegre. O segredo é expor objetos dessas
cores de forma equilibrada, deixando alguns produtos em cada região do
espaço”, defende Michele, que, junto da sócia, incluiu vasos nesses tons
em um living composto por bege, branco e vidro bronze.
“Aconselho a pessoa a pensar no uso do ambiente e investir em cores
vibrantes para locais onde se quer criar um clima mais alegre, para
receber os amigos e familiares”, diz.
Antes
Depois
Peças da produção:
- Abajur garrafão amarelo, na Villa Batel, R$ 2.040.
-
Nos sofás: almofada zig zag amarelo (R$ 226 cada), almofada sisal (R$
226 cada) e almofada estanho (R$ 261 cada). Tudo da Villa Batel.
- Na
mesa de centro: vaso medici vazado (R$ 584), vaso bojudo amarelo grande
(R$ 799), bojudo amarelo pequeno (R$ 409), vaso cinza grande (729 –
cada), vaso cinza pequeno (R$ 583), garrafas bronze alta (R$ 810),
garrafa bronze baixa (R$ 432), pincel branco chinês (R$ 180), pincel
osso com cerda clara (R$ 285). Tudo na Villa Batel. Vaso Unique roxo(R$
99,99) e vaso Dalian roxo (R$ 99,99), ambos na Etna.
- Nas
prateleiras: vaso quadrado cinza (R$ 670 – cada), garrafas bronze alta
(R$ 810), garrafa bronze baixa (R$ 432), vaso cinza com tampa (R$ 583 –
cada), vaso bujudo branco com dourado com tampa (R$ 874). Tudo na Villa
Batel. Vaso Unique roxo (R$ 99,99), vaso oval Xyan roxo (R$ 89,99) e
vaso Dalian roxo (R$ 99,99 – cada). Tudo na Etna.
Texturas naturais
O espaço conjugado com escritório e sala de jantar assinado por
Leandro Garcia tinha, originalmente, um projeto com base branca, bege e
amadeirada. Os itens que foram inseridos no ambiente pelo arquiteto, a
pedido da reportagem, além de mostrarem os diferentes materiais, que
possuem cores naturalmente mais neutras, ajudaram a evidenciar e
valorizar as diferentes texturas. “O interessante é que cada peça vai
sendo descoberta e percebida aos poucos, como boas surpresas, através da
experiência não só visual, mas também tátil, de cada pessoa”, explica o
profissional. Mesmo no item com mais cor, a poltrona Swan, de Arne
Jacobsen (acervo), o tom de roxo é esmaecido e não se sobrepõe
visualmente às demais peças. E não é preciso gastar muito para mudar. A
maioria das intervenções foi feita em ítens como almofadas, mantas e
pequenos objetos. “Escolhi também obras de arte e alguns móveis menores
com design assinado que dão mais personalidade”, explica.
Antes
Depois
Peças da produção:
- Vaso escultura liso feito em papel kraft reciclado com design de Domingos Tótora. Na É Mobiliário Brasileiro, R$ 1.305 (cada)
- Banco Mark com design de Jader Almeida. Na É Mobiliário Brasileiro, R$ 1.363 (madeira) e R$ 1.914 (cortiça).
- Cesto “mão gaúcha” de fibra de bananeira trançada. Na Tok & Stok, R$ 76,50 (pequeno) e R$ 94,90 (grande).
- Mantas em linho – no braço do sofá, na poltrona e no cesto central. Na Passion, R$ 149 (cada).
- Mantas de Alpaca (no cesto central). Na Passion, R$ 429 (cada).
-
Mesas laterais Cigg com design de Jader Almeida, em madeira pau ferro,
mármore nero e carrara. Na É Mobiliário Brasileiro, R$ 1.690,50 (cada).
-
Vasos leque com design de Kimi Nii (na mesa lateral com tampo de
vidro). Na É Mobiliário Brasileiro, R$ 798 (médio) e R$ 600 (pequeno).
-
Almofadas: Velo soft rolo, na Tok & Stok, R$ 59,90. Com papel
almofada, na Tok & Stok, R$ 88,50. Capa almofada crochê nenê, na Tok
& Stok, R$ 55. Almofada tricô listrada, na Passion, R$ 99. Almofada
de piquet, na Passion, R$ 59,90 (cada). Fib almofada, na Tok& Stok,
R$ 69,90 (cada). Bananal almofada, na Tok& Stok, R$ 114,90.
- Alby tapete de lã de ovelha (usado com manta no braço do sofá). Na Tok & Stok, R$ 206,90.
- Manta de tricô, na Passion, R$ 299.
- Na bancada ao fundo: Danguri de cerâmica (R$ 1.491) e vaso Eucalipto pai (R$ 785,40), ambos da É Mobiliário Brasileiro.
-
Na mesa de jantar: obra de arte de Julia Kater para SIM Galeria. Vasos
de porcelana da Holaria modelos Krater e Plissan (acervo). Blocco vaso
31 cm (R$ 182,90), Revivo vaso garrafa 48 cm (R$ 112,50), Flora Bloc
vaso 15 cm (R$ 69,90), Purity suporte para vela (R$ 29,90 – cada),
Lumino suporte para vela (R$ 6,90 – cada) e Glacial suporte para vela
(R$ 19,90 – cada). Tudo da Tok & Stok.
Pontos de destaque
No projeto das arquitetas Mariana Stockler e Carolina Posanske, a
base clara mesclada com madeira é quebrada pelos pufes estampados,
cadeiras e almofadas amarelas.No detalhe à direita acima, a boa ideia de
colocar pequenos grupos de objetos iguais em cores diferentes, deixando
a decoração dos nichos harmônica. Ao lado abaixo, recorte do quarto da
residência que seguiu a mesma linha, apostando em pontos de cor. Bege,
branco e fendi dão a base para destacar a mesa lateral vermelha.
Mesclas de tons e estampas
O sofá bege e as poltronas com estampa floral em tons de vermelho,
rosa e uva, foram o ponto de partida do ambiente assinado por Patrícia
Vertuan. “Assim acabamos investindo no vermelho e em outros tons de
marrom, inclusive no papel de parede”, comenta. Como há presença de tons
bastante chamativos, a iluminação é mais amarelada, o que ajuda a
suavizar. Ao lado, no detalhe maior, o tapete vermelho dá mais vida ao
ambiente e, na imagem menor, a opção pela mescla de almofadas lisa e
estampada.
Tudo em equilíbrio
Veja algumas dicas dos profissionais para decorar usando uma base neutra com toques de cor:
• Os primeiros itens a serem escolhidos devem ser os móveis maiores,
que aparecerão mais. Se for uma sala, o primeiro passo é o sofá e os
móveis como rack, estante e mesas. Depois vêm os complementos, que
poderão ganhar toques de cor ou seguir a neutralidade investindo em
texturas diferentes. Se a decoração for de um quarto, os tons neutros
ficarão na cama e cabeceira essencialmente e a brincadeira com as cores
pode ser feita em mesas de apoio e nos tecidos.
• Para valorizar os elementos de uma decoração neutra, é essencial
investir em um projeto de iluminação, que destacará cada textura do
ambiente. A definição da tecnologia mais adequada ao espaço, exige um
estudo sobre o layout finalizado e, preferencialmente, com a definição
dos tons a serem usados. Em geral investe-se em iluminação geral no
centro com intensidade maior e pontos distribuídos sobre objetos para
destacá-los. A luz de abajures e outras luminárias cria novas variações
de tons para distrair os olhos.
• Mudar a cor das paredes, normalmente, não está nos planos de quem
prefere a decoração neutra. Mas um papel de parede com fundo claro e
texturas ou leves toques de cor é uma opção interessante para uma
mudança na cara do ambiente.
• Para compor as cores, a dica é observar qual tom de bege está no
ambiente. Os de fundo amarelado ficam bons com turquesa e verde água,
que também levam amarelo na sua composição. Tons de caramelo fazem um
contraponto ao vermelho vivo. Rosa e roxo combinam com qualquer tom de
bege, dos amarelados aos acinzentados. Outras cores que caem bem são
amarelo e azul marinho.
Serviço
Profissionais: Samara Barbosa e Michele Krauspenhar, fone (41)
3016-5404. Leandro Garcia, fone (41) 3030-1110. Patricia Vertuan, fone
(41)3363-6469. Mariana Stockler e Carolina Posanske, fone (41)
3154-0567.
Lojas
É Mobiliário Brasileiro, Avenida Sete de Setembro, 5.873, fone (41)
3244-3244. Passion Cama, Mesa e Banho, Rua Desembargador Costa
Carvalho, 333, fone (41) 3026-7419. Tok&Stok,
www.tokstok.com.br. Holaria, fone (41) 3392-3132 e
www.holaria.com.br.
SIM Galeria, Rua Presidente Taunay, 130-A, fone (41) 3322-1818. Esal
Flores, Rua 24 de Maio, 1.839, Rebouças, fone (41) 3091-0403. Villa
Batel, Alameda Doutor Carlos de Carvalho, 1.332, fone (41) 3018-6488.
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